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Fé, exorcismo, milagres? Conheça a história de Dona Neida

  • Foto do escritor: João Pedro Nunes
    João Pedro Nunes
  • 13 de jun. de 2023
  • 6 min de leitura

Dona Neida, como quis ser identificada, é exemplo de devoção, com uma vida inteiramente dedicada à fé. Aos 81 anos, ela se diz “instrumento de Deus”, e que suas ações por vezes milagrosas não devem ser credibilizadas para ela, mas sim àquele que ela acredita.

Dentre suas diversas ações, José, seu filho primogênito, relembra um milagre que ocorreu com um falecido primo seu, que recentemente havia se envolvido com satanismo, e buscou Neida para que seu exorcismo fosse feito. Veio então de Campo Grande (MS) para Brasília para realizar as sessões.

“Eu me lembro que ele estava em casa, e disse que ia ao jardim. Logo depois ele voltou gritando ‘seu cachorro me mordeu!’, e nessa época nós não tínhamos cachorro. Quando minha mãe olhou no braço dele, tinha marcas de garras e dentes de cachorro na pele em alto relevo”, disse o filho.


Confira um trecho da entrevista:




Na mesma hora ela pegou “água benta exorcizada”, aspergiu no braço dele, fez uma oração “renunciando o mal”, e as marcas desapareceram, não havia mais nada, e aquilo o chocou muito.


Foto: Arquivo pessoal


Vida no interior


Nascida em 1941, na pequena cidade de Rio Brilhante, no interior do Mato Grosso do Sul, e a segunda de cinco irmãos, Neida sempre esteve muito ligada à família, principalmente a sua avó materna, Luducena, a qual, por vezes, tinha uma ligação mais forte do que com sua própria mãe. E foi por meio dessa conexão, que foi desenvolvida a maior paixão de sua vida: Deus.

Desde seus três anos de idade, Neida foi inserida no mundo religioso por sua avó, pessoa mais devota que já conheceu, que a ensinou a rezar, ir à igreja, e, desta maneira, foi desenvolvendo seu amor por Deus e pelo catolicismo.

Aos 13 anos, Neida se mudou para Campo Grande com sua família, e foi matriculada na escola Nossa Senhora Auxiliadora, onde começou a aprender a religião de uma forma mais concreta, por meio das aulas de ensino religioso. A escola também fornecia missas aos alunos, as quais Neida frequentava diariamente, o que fortaleceu ainda mais sua fé.

Com o passar dos anos, Neida teve que mudar de escola mais uma vez, indo para a escola estadual Joaquim Murtinho, onde desenvolveu o desejo de se tornar professora. E aos 21 anos, pouco antes de se formar, recebeu a oportunidade que desejava, uma das professoras da escola engravidou, e a diretora foi à classe de Neida pedir para alguém se voluntariar para substituir a professora, e sem exitar, levantou a mão.

“Eu dizia para ela: ‘Dona constância, eu estou fazendo o Normal (nome dado ao curso na época) porque eu quero lecionar, não apenas para me formar’. Sempre foi o meu desejo, até mesmo quando eu brincava com minhas primas e irmãs, eu sempre era a professora”.

Neida deu aula como substituta durante um período de três meses (setembro a dezembro), e conta com muito orgulho que em toda sua jornada como professora, nunca retirou um aluno de sala. E apesar da rejeição inicial por parte dos estudantes, por ser muito nova, magrinha, aos poucos foi conquistando o respeito de todos.

Ao final do ano de 1963, quando Neida terminou o curso Normal, a diretora da escola a convidou para ir à escola, e ofereceu o cargo em definitivo. “Ela me chamou e perguntou: ‘você quer ser professora?’, e eu falei: ‘quero, essa é a minha missão’, então ela me perguntou se eu aceitaria que ela pedisse a minha nomeação, eu ri, dei um abraço nela, e respondi: ‘é só o que eu mais desejo!’, e assim ela fez”.

Neste mesmo período, após uma visita de amigos da família, Neida foi apresentada àquele que viria a ser seu futuro marido, José. Ele já morava em Brasília, e após algumas visitas e conversas, iniciaram um relacionamento, sustentado por cartas e ligações.

Alguns meses depois, em outra visita de José a Campo Grande, Neida foi pedida em casamento, e ficou noiva em outubro de 1964. Por conta do casamento e da mudança iminente de cidade, Neida deixou a escola onde lecionava, para se juntar ao futuro marido na capital, onde já possuía uma vida estável.

Pouco tempo após chegar em Brasília, Neida ficou grávida pela primeira vez, e seu marido, que trabalhava no tribunal de justiça e no correio braziliense, perguntou se ela gostaria de voltar a trabalhar como fazia em Campo Grande, e que ele poderia conseguir uma vaga para ela.

Por gostar de trabalhar, Neida pediu um tempo para que pudesse decidir se voltaria a trabalhar. Porém, não muito tempo depois, a decisão já estava tomada. Neida gostaria de ser dona de casa, também para poder dar a criação que desejava a seu filho. Assim, optou por não trabalhar mais.

E desta maneira Neida seguiu, após o nascimento de seu primeiro filho, José Júnior, ainda teve outros quatro filhos. Com o passar dos anos, Neida se aproximou ainda mais da Igreja Católica, e passou a fazer atendimentos espirituais com pessoas em sua própria casa.


Neida (ao centro), com seus cinco filhos e seu marido (à esquerda). Foto: Arquivo pessoal


Nessas consultas, pessoas se apresentam com todos os tipos de problemas e complicações, desde doenças até problemas de relacionamento. E segundo Neida, apenas de estar na presença delas, consegue saber qual dificuldade está enfrentando, antes mesmo que a digam.

Neida se diz apenas um instrumento de Deus, e que as ações que faz são de responsabilidade divina, e independente da crença e das convicções de cada um, por meio destes atendimentos, preces e orações feitas por ela, essas pessoas tiveram seus problemas resolvidos, o que alguns podem verdadeiramente chamar de milagre.

“Eu não quero levar crédito por nada, eu sou apenas um instrumento nas mãos de Deus. Sou como um interruptor de luz. Ele me acende e apaga a hora que achar que o deve fazer”.

Essa frase dita por Neida explica o porquê de ela não querer ter seu verdadeiro nome escrito. Para ela, todos os méritos devem ser dados a Deus, que apenas utiliza dela para fazer suas ações, e que suas ações, por mais milagrosas que sejam, não são obras de sua autoria.

O primogênito de Neida, José Júnior, foi quem, dentre os filhos, seguiu a religiosidade da mãe de forma mais intensa, se tornando palestrante e orientador espiritual, escrevendo livros sobre ritos da igreja católica, e servindo ao propósito que sua mãe já sabia que teria desde que estava em seu útero.

Segundo José que, desde pequeno sempre foi muito próximo de sua mãe, e sempre teve a questão da espiritualidade viva dentro de si. Esse sentimento se desenvolveu principalmente pelo exemplo que Neida dava diariamente, tanto em orações, como ações de caridade e de ajuda ao próximo.

No desenvolvimento de sua caminhada na Igreja, José sempre contou com total apoio de sua mãe, desde quando queria se tornar sacerdote, até quando começou a atuar com mais frequência na igreja, escrevendo livros, palestrando, e até mesmo com programas na rádio para falar de espiritualidade.

José conta que, por vezes, já presenciou sua mãe sendo instrumento de ações milagrosas, e que ela tem um dom especial. Por anos Neida foi assistente de um padre exorcista em sua paróquia, e que durante as sessões de exorcismo, o sacerdote a questionava se o demônio já havia libertado o corpo, e Neida conseguia sentir se a entidade ainda estava lá ou não.

Durante uma das sessões, Neida foi questionada se o exorcismo já havia surtido efeito ou não, pois o corpo já não manifestava sinal algum, mas ela insistiu que o corpo ainda não estava livre. O padre então continuou o rito, e o demônio voltou a se manifestar, até que libertasse de vez a pessoa.

“O mérito é dela? não. O mérito é de Deus, porque é Ele quem realiza o milagre, ela é apenas o instrumento. Mas, todo instrumento tem seu mérito por ser um bom instrumento. É como um alicate, se você pegar um bom alicate, ele vai fazer o serviço bem feito, se for um alicate ruim, ele vai quebrar. Então ela tem o mérito dela, não pelo que foi feito, mas por ter se colocado a serviço e ter aceitado ser instrumento para aquilo”, declarou.

Aos 81 anos, Neida ainda realiza seus atendimentos, sempre com muita humildade e ciência do papel que desenvolve para com os outros. E por mais que pareça impossível, tenta se aproximar cada vez mais de Deus, buscando a vida eterna com muito amor, pois “para quem tem fé, a vida nunca tem fim”.


Por João Pedro Nunes

Supervisão: Luiz Claudio Ferreira

 
 
 

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