top of page
Buscar

Afasta de mim esse cale-se: histórias do 8 de Janeiro

  • Foto do escritor: Anna Júlia Lopes
    Anna Júlia Lopes
  • 13 de jun. de 2023
  • 12 min de leitura

Durante quatro anos de governo, o então presidente Jair Bolsonaro insuflou o ódio de milhares de seguidores contra os jornalistas. No 8 de Janeiro, o ódio da extrema direita tomou forma.



“Pai, afasta de mim esse cálice, pai
Afasta de mim esse cálice, pai
Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
[...]
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa"

No meio de carimbos e assinaturas de militares, há 50 anos, uma das músicas da MPB mais conhecidas no país era censurada pela ditadura. Composta por Gilberto Gil e Chico Buarque, a obra escrita em 1973 só foi liberada em 1978, 5 anos depois. Com alusões católicas, a canção faz referência a uma passagem da Bíblia: “Pai, se queres, afasta de mim este cálice” (Marcos 14:36).


No regime militar no Brasil, o cálice vinha cheio de sangue. Subversivos morriam e eram torturados. Muitas mães não viam mais seus filhos. À época, ao menos 50 jornalistas foram perseguidos, segundo relatório da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, entregue em 2014 à Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas).


Segundo o relatório, o exercício profissional da imprensa se tornou um risco durante a ditadura. Para o então presidente da Comissão da Memória e Verdade da Fenaj à época em que o documento foi lançado, Audálio Dantas, a violação de direitos humanos por parte do Estado brasileiro afetou tanto a vida profissional quanto pessoal dos perseguidos.


Durante o período de 1964 a 1983, vários jornalistas foram perseguidos e mortos, como é o caso de Vladimir Herzog, que presidia o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo quando morreu em outubro de 1975 nas dependências do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi).


Hoje, 38 anos depois do fim do regime, o jornalismo segue sendo uma profissão de risco. Dessa vez, não por agentes do Estado, mas por aqueles que o apoiam. Durante quatro anos, o ex-presidente Jair Bolsonaro fez ataques diretos à imprensa. Aos gritos de “Cala a boca” e xingamentos dirigidos a repórteres no Palácio da Alvorada e no Planalto, a relação do governo com os jornalistas viveu momentos de tensão durante a gestão Bolsonaro.


No entanto, mesmo após deixar a cadeira da Presidência, a relação com a imprensa permaneceu ruim. Longe dos holofotes e escondido em um bairro nobre da Flórida, nos Estados Unidos, Bolsonaro se refugiou e fugiu das perguntas dos jornalistas depois de ser derrotado pelo petista Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022. Com o constante questionamento da legitimidade das urnas durante o seu governo, os apoiadores de Bolsonaro permaneceram insatisfeitos com o resultado do processo eleitoral. Em 2023, uma semana depois da posse de Lula como presidente, o ódio e revolta por parte dos apoiadores explodiu e resultou no 8 de Janeiro.


O 8 de janeiro deixou marcas não apenas na democracia brasileira e nos prédios dos Três Poderes, mas causou temor e marcas nos profissionais de imprensa – aqueles do qual o governo Lula tem tentado se aproximar, depois de alguns anos mantendo uma relação de atrito com as autoridades máximas do país.


Naquele dia, por volta das 15h, vândalos começaram a invadir os prédios públicos. Aqueles eram os mesmos manifestantes acampados em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília. Ali, eram igualmente hostis, mas contidos. Ao fazer a cobertura do acampamento, fui seguida e fotografada por vários dos manifestantes vestidos de verde e amarelo e com a camiseta da Seleção Brasileira.


No entanto, no domingo de 8 de janeiro, aquela mesma parcela da população raivosa não era vista pelo Exército. Na Praça dos Três Poderes, os golpistas puderam fazer a sua própria releitura do quadro "O Jardim das Delícias Terrenas", se deixando levar sob a ausência de culpa ou qualquer restrição sem que a Polícia Militar fizesse, por longas horas, absolutamente nada.


Foi com extrema violência que a Suprema Corte foi invadida e que o armário onde o ministro Alexandre de Moraes, atacado com frequência pelo ex-presidente, guardava a sua toga foi destruído. Assim como os diversos xingamentos e ataques diretos ao magistrado, Bolsonaro também agiu de maneira agressiva com jornalistas, indo de "Você é uma vergonha" a "Quadrúpede". Desde o fim do período eleitoral, foram registrados 115 casos de violência política contra jornalistas, segundo a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).


Aos gritos de "Filha da puta" e "Chora, sua vadia", a jornalista do Washington Post, Marina Dias, foi escoltada por militares e funcionários do Ministério da Defesa para fora do tumulto que se formou ao seu redor na Esplanada dos Ministérios. Ali, a barbárie tomou conta e o ódio fomentado contra a imprensa pelo então presidente Jair Bolsonaro ao longo de seus quatro anos de governo tomou forma.


Dias estava na Praça dos Três Poderes enquanto os vândalos invadiram e destruíram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). Lá, a multidão quebrara os seus óculos e falava em matá-la.


A jornalista não foi a única a sofrer algum tipo de ataque durante os atos. Na ocasião, mais de 40 jornalistas foram atacados na data, segundo levantamento realizado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).


A invasão do Capitólio (Praça dos Três Poderes)


Arquivo Pessoal/Anna Júlia Lopes


Depois de quatro anos trabalhando como correspondente internacional nos Estados Unidos para a Folha de S. Paulo, Marina teria o seu primeiro dia no Washington Post na segunda-feira, 9 de janeiro. Um dia antes, a repórter se preparava para receber o correspondente sênior do jornal, Anthony Faiola, que planejava se reunir com uma série de ministros nomeados do novo governo.


Ao pisar em Brasília, Anthony recebeu uma ligação de Marina. Poucos minutos antes do voo do editor pousar na capital federal, a jornalista ligou a televisão e viu pessoas indo para a Esplanada. “O nosso 6 de janeiro está começando”, disse ela no telefone, em referência à invasão do Capitólio, prédio do centro legislativo nortre-americano, por manifestantes pró-Trump. Marina conta que sabia que “algo grande” ia acontecer.


“Isso não é um protesto. As pessoas com muito ódio, gritando, inclusive os policiais, umas pessoas meio em estado de transe, rezando alto e com muito, muito ódio", pensou Marina assim que chegou na Esplanada dos Ministérios.


Enquanto descia pelo gramado em frente ao Congresso Nacional, ela avistou bolsonaristas entrando e subindo na cúpula. Naquele dia, a reação da Polícia Militar foi demorada, fato que levou à prisão do secretário de Segurança do Distrito Federal, Anderson Torres – também ex-ministro da Justiça de Bolsonaro.


Quando os policiais começaram a agir, tiros de borracha e bombas de efeito moral sobrevoavam a Praça dos Três Poderes. Os vândalos, que pediam por intervenção federal (na prática, um golpe de Estado), aplaudiam toda vez que um helicóptero passava por suas cabeças.


Vestida naquele dia de camiseta amarela e uma calça jeans – o que Marina disse ser uma coincidência –, ela passou quase o dia inteiro sem que ninguém percebesse que era jornalista. "Fiz vídeos, filmava, mas todos eles estavam se filmando, então não chamava atenção de ninguém", acrescenta. Até que em um momento, quando a segurança no local já havia sido retomada, a jornalista viu uma senhora, parada e enrolada em uma bandeira do Brasil, conversando com um homem.Ambos pareciam estar longe dos gritos e do "transe coletivo".


"Eles estavam praticamente em uma conversa normal", conta. Assim, Marina se aproximou da mulher e disse ser jornalista, pedindo para fazer algumas perguntas sobre os atos. A mulher aceita. No entanto, o homem com quem ela conversava se afastou prontamente. Até que um novo homem se aproximou e começou a gritar: "Não responda essa mulher. Ela é uma jornalista. Jornalistas são de esquerda".


Com o homem aos gritos, muitas pessoas começaram a se juntar ao redor de Marina. "Eu fiquei com medo e comecei a correr. E até hoje eu não sei se foi esperto ou não, mas se eu ficasse parada, eu não queria saber o que eles iam fazer".


Foi derrubada enquanto tentava fugir. Até hoje, quatro meses depois, Marina carrega consigo uma cicatriz no pé, fruto da queda. Bolsonaristas chutavam e batiam em suas costas. As mulheres puxavam o seu cabelo e a arranhavam com as unhas.


Marina só se livrou da multidão depois que um homem a escoltou pelo braço. "Para, vocês vão matar essa mulher e vocês vão acabar com o nosso movimento", gritava. Nessa hora, Marina ganhou um pouco de fôlego e conseguiu gritar por ajuda. Mesmo com o bolsonarista dizendo que "nada ia acontecer", ela retrucava que já estava acontecendo. Estava toda machucada e mal conseguia enxergar sem seus óculos.


Os minutos de terror continuaram até que um militar das Forças Armadas apareceu. Ela conta que, mesmo com a presença de uma autoridade de segurança, os bolsonaristas não queriam deixá-la ir, só se dispersando com bombas de efeito moral. O militar levou a jornalista para dentro do Ministério da Defesa. Mesmo assim, os agressores continuaram do lado de fora do prédio gritando pela jornalista, com a certeza da impunidade.


O golpe


Arquivo Pessoal/Anna Júlia Lopes


Assim como Marina, Renato Alves, jornalista do jornal mineiro O Tempo, também sofreu ataques no 8 de Janeiro. Enquanto, para ela, a invasão da Praça dos Três Poderes a fazia lembrar da invasão do Capitólio, Renato temia pela sua vida e a de sua família ao imaginar um possível golpe de Estado.


Naquele domingo de plantão, mexia nas redes sociais, quando viu que bolsonaristas invadiram o Congresso e já estavam dentro das dependências da Câmara e do Senado.


"Qualquer jornalista naquele dia de plantão em Brasília, independentemente se é de política ou não, deveria ir para a rua", afirmou.


Com medo de ser visto pelas câmeras dos prédios públicos e confundido com um dos vândalos, Renato tentou se manter o mais neutro possível: de camisa azul e calça jeans. No entanto, no mar de verde e amarelo e camisas da Seleção Brasileira, o neutro se destacava.


Para ele, o que mais chamava a atenção era a falta de barreiras da Polícia Militar na Catedral, um dos pontos turísticos de Brasília. Jornalista há 25 anos e tendo coberto todas as grandes manifestações no Distrito Federal – de petistas, bolsonaristas, do MST, indígenas e estudantes –, Renato sabia que havia algo de errado.


"Eu mesmo estava de mochila, eu mesmo entrei com o que eu quis. Não tinha nada de errado, mas eu estava com a mochila. Nisso aí, eu vi muita gente entrando com mala, eu vi várias pessoas com mastro de bandeira, com pedaço de pau, com pedaços de material cilíndrico, com tudo. Ali, já era muito evidente que alguma coisa atípica estava acontecendo".


Quando chegou, assim como Marina, a multidão já tinha conseguido subir na parte superior da cúpula do Congresso. Renato diz não saber de nada do que acontecia dali para trás. Naquele momento, ele não sabia se havia gente na Praça dos Três Poderes e nem que o Supremo e o Planalto também haviam sido invadidos.


Enquanto caminhava em direção à chapelaria, não encontrou nenhum policial, pelo contrário: a primeira coisa que viu foi um carro da Polícia Administrativa jogado dentro do espelho d’água no Congresso. “Aí eu me assustei. Já estava completamente fora de controle", relata.


Ao ver a vidraça da chapelaria do Congresso toda quebrada e, mais uma vez, sem contenção, decidiu entrar no prédio, gravando o que via. A cena foi, novamente, de espanto. Quando entrou, viu bolsonaristas sentados no chão e nos sofás enquanto carregavam os seus celulares. Como se estivessem em casa. Também se deparou com um grupo de pessoas rezando para policiais legislativos estáticos. Não faziam nada e também não impediam ninguém de nada.


Em direção ao Salão Verde, Renato vê pela primeira vez os policiais legislativos tentando impedir com que os bolsonaristas entrassem. Esses, começam a jogar os móveis desenhados nos agentes. Renato se sentia como um "estranho no ninho" com sua camisa de botões e sua calça jeans, enquanto vomitava com o cheiro das bombas de gás lançadas pela Polícia. Enquanto tentava se afastar da multidão, uma pessoa o puxou pelo colarinho. "Nessa hora, eu gelei".


Cerca de 10 homens se juntaram ao seu redor, cobrando a sua "roupa de patriota". Reviram a sua mochila e o celular. Enquanto estava em pânico, os homens diziam a ele que ele nunca sairia dali e tiravam fotos do seu rosto, aos gritos de "infiltrado", no escuro e em meio a bombas e tiros de borracha.


Renato diz ter sentido um "metal cilíndrico" na sua cintura. No escuro, não conseguiu visualizar se era ou não uma pistola. Implorava por sua vida e pensava em sua filha pequena. Depois de se livrar do grupo, Renato começou a andar. Por onde passava no Congresso, era chamado de "petista" e "infiltrado". As fotos de seu rosto já estavam estampadas nos grupos.


Ao sair do Congresso, Renato pede ajuda a um grupo de militares do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) perto do Itamaraty. Disseram não poder ajudar. Poucos dias depois, Renato viu que aqueles eram os mesmos militares que foram filmados tirando foto e rindo durante a invasão dos Prédios dos Três Poderes.


Em meio ao pânico e ao medo, um homem ofereceu ajuda. "Eu posso te ajudar a sair daqui. Confia em mim?". Sem ter escolha, Renato aceitou. Posteriormente, descobriria que se tratava de um técnico de informática na Empresa Brasil de Comunicação (EBC).


Ele conta que, ao chegar em casa e ver sua mulher, desabou. Renato já esteve na Coreia do Norte e cobriu o terremoto no Haiti, mas afirmou nunca ter tido tanto medo quanto no 8 de Janeiro.


"Eu fui para a Coreia do Norte. Eu era o único jornalista ocidental na época do teste da bomba nuclear, eu tive o passaporte tomado, fui ameaçado, poderia não ter voltado para o Brasil. Mas eu nunca tive tanto medo, eu nunca tive uma sensação tão ruim quanto eu tive nesse 8 de Janeiro", declara.


Segundo o jornalista, ele chegou no seu apartamento no Sudoeste sem saber que os bolsonaristas tinham tomado o Supremo e o Planalto. Quando ligou a televisão na Globonews e viu todos os prédios invadidos, ele entrou novamente em desespero e pensou: "O golpe vai vingar. E, em algum momento, nós, jornalistas, vamos ser buscados em casa".


Morando perto do Quartel-General do Exército, Renato olhou pela janela e viu um blindado nas ruas, em um misto de pânico e desespero. Naquele dia, tomou tantos remédios para se acalmar, que apagou. Acordou às 4h da manhã e não conseguiu mais dormir.


Marcas do 8 de Janeiro


Depois do 8 de Janeiro, a Abraji, juntamente com outras entidades que representam a classe, criaram um grupo de apoio para cobrar do governo do DF que os jornalistas tivessem um modo de registrar os boletins de ocorrência sem serem expostos.


Para Renato, estava "muito claro" de que lado a polícia estava no dia dos atos, o que só o deixou com menos vontade de ir até uma delegacia.


Nas semanas seguintes, o jornalista, que teve que começar a tomar remédios para dormir, ficava assustado só de assistir o noticiário. "Toda vez dá gatilho. Voltar para o Congresso não foi fácil". Diz conviver, até hoje, com o medo daqueles que o filmaram e o fotografaram dentro do Congresso.


Marina também teve dificuldade para dormir nas semanas seguintes. O corpo dolorido nos dias que se passaram e a cicatriz no pé mesmo depois de quatro meses a fazem lembrar de quando foi derrubada e chutada por bolsonaristas. "Está marcado para sempre", afirma.


Depois do 8 de Janeiro, com a ameaça de uma possível nova invasão, Marina se antecipou ao Washington Post e já disse que não iria. Desde então, não se deparou com nenhuma situação semelhante, não sabendo me dizer como reagiria. Apesar do medo, a jornalista não se sentiu impedida de trabalhar. "Eu cheguei desses ataques e escrevi um texto. Talvez eu já estivesse ali em um modo de trauma já ligado. Mas é preciso mostrar para todo mundo o que essas pessoas são capazes de fazer".


"Eu já me tratei uma vez, muito tempo atrás, com psicólogo, psiquiatra. À época, ela me disse: 'Vocês, jornalistas que trabalham com política, é o mesmo que um médico que trabalha na emergência do hospital", recorda Renato. Assim como Marina, apesar de não ter trabalhado na segunda-feira seguinte ao 8 de Janeiro, na terça, ele já estava de volta à redação.


Violência institucional


De acordo com a presidente da Fenaj, Samira de Castro, nos últimos quatros, foi observada uma "institucionalização" da violência contra os profissionais da imprensa. Ela afirma que o ex-presidente Jair Bolsonaro proferia discursos contra jornalistas com o principal objetivo de descredibilizar o trabalho da categoria.


"Os nossos relatórios mostram muito claramente que Bolsonaro foi o principal agressor de jornalistas nos últimos quatro anos e, através da institucionalização dessa violência pelo seu governo, as pessoas passaram a atacar jornalistas", explica Samira, que acrescenta que essas pessoas são "pessoas comuns", apoiadoras do ex-presidente.



Arquivo Pessoal/Anna Júlia Lopes


A presidente da instituição conta que a polarização política também foi um fator para o aumento da violência contra jornalistas. No entanto, é por conta da tática da extrema direita para tentar se manter no poder que as coisas saíram do controle.


Ela afirma que, com o objetivo de controlar a realidade factual, esse grupo age com discursos de ódio e desinformação em massa, atentando contra o caráter da informação de interesse público.


"Todo o ataque a um jornalista que tem por objetivo impedir a circulação da informação jornalística é um atentado à liberdade de imprensa e à liberdade de expressão. Quando você tenta cercear o trabalho de um jornalista, seja por meio de ameaça, intimidação, hostilização, agressão verbal, agressão física, censura, censura judicial, inclusive, chegando à violência letal, que é o assassinato de um profissional, o objetivo disso é muito claro, é fazer com que as pessoas não tenham acesso à informação de interesse público", diz Samira.


Nesse momento de polarização política, ela aponta que o necessário para a classe é a reconstrução das entidades e das instituições democráticas. "Nós precisamos de um discurso que valorize o jornalismo a partir do Poder Executivo central".


Para Samira, o Brasil ainda levará um tempo para superar o ambiente de hostilidade com o trabalho dos jornalistas. Apesar de Bolsonaro ter saído do poder, o bolsonarismo no Brasil continua.


Em maio, a ONG Repórteres sem Fronteiras apresentou um estudo que mostra o Brasil na posição 92 no ranking de liberdade de imprensa. Até o ano passado, o País estava na 110ª colocação.


Segundo o jornalista Artur Romeu, chefe do escritório da ONG para a América Latina, o fato da saída de Bolsonaro do poder gerou uma onda de otimismo entre profissionais e pesquisadores do setor da comunicação. No entanto, ele argumenta que é necessário que os poderes instituídos tragam demonstrações da efetividade de medidas em prol da democracia. O governo brasileiro implementou, via Ministério da Justiça, um observatório de violência contra comunicadores, que pode se transformar em um canal efetivo contra a impunidade.


Por Anna Júlia Lopes

Supervisão: Luiz Claudio Ferreira

 
 
 

Comentários


bottom of page